O futuro do WordPress depende de definirmos o que a inteligência artificial irá alcançar no WordPress, tanto para developers como para editores e para a liderança do projeto.
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Transcrição do programa
Olá, eu sou José Freitas e estás a ouvir o WPpodcast, que traz, todas as semanas, as novidades da Comunidade WordPress.
Neste episódio, encontras a informação de 2 a 8 de fevereiro de 2026.
Esta semana, Matt Mullenweg, cofundador do WordPress, publicou um editorial intitulado Some Provocative AI Thoughts, que podemos traduzir por “Algumas reflexões provocadoras sobre IA”, no qual abre uma reflexão ampla sobre como a inteligência artificial pode redefinir o futuro do WordPress.
Não é uma proposta técnica nem um roadmap, mas sim um convite para pensarmos a longo prazo sobre:
- o impacto da IA na forma como o software é construído,
- como as pessoas contribuem para o projeto
- e como as decisões são tomadas.
Matt sugere que a IA não será apenas uma ferramenta de apoio, mas um agente capaz de alterar conceitos fundamentais como autoria, contributo e o ritmo a que o próprio projeto evolui.
O texto levanta questões desconfortáveis, mas necessárias, como:
- o que significa contribuir quando grande parte do trabalho pode ser mediado por IA,
- como se mantêm a confiança e o juízo humano num ambiente cada vez mais automatizado,
- ou que riscos surgem se estas capacidades ficarem concentradas nas mãos de poucos.
Em vez de oferecer respostas, o editorial procura iniciar uma conversa cedo dentro da comunidade, com a ideia de que ignorar estes debates, ou aborda-los demasiado tarde, pode moldar negativamente o futuro do WordPress, enquanto enfrentá-los agora permite definir com mais clareza limites, valores e direção.
Linha orientadoras para IA no WordPress
Foi publicada uma nova documentação intitulada AI Guidelines for WordPress, que estabelece um enquadramento comum para o desenvolvimento e a integração de funcionalidades de inteligência artificial no ecossistema WordPress, com o objetivo de garantir consistência, segurança e alinhamento com os valores do projeto.
As diretrizes deixam claro que a IA no WordPress deve ser opcional, extensível e não intrusiva, evitando comportamentos automatizados inesperados e garantindo que um site continua a funcionar corretamente mesmo que não exista nenhum fornecedor de IA configurado. Também sublinham que o Core não deve incluir modelos, credenciais ou fornecedores por omissão, e que isso deve ser tratado através de plugins.
O documento define princípios chave como:
- transparência,
- controlo pelo utilizador,
- privacidade e portabilidade,
recomendando abstração de fornecedores, evitando dependências rígidas e desenhando APIs que consigam evoluir sem quebrar compatibilidade. Reforça que experiências de utilizador com IA devem assentar em camadas bem definidas como as Abilities e o WP AI Client, separando claramente infraestrutura de produto.
Os pontos mais importantes das AI Guidelines do WordPress são:
- És responsável por aquilo que submetes. A IA pode ajudar, mas não é um contribuidor. Tens de compreender cada linha e garantir que está correta, segura e adequada ao projeto.
- Transparência. Se a IA foi usada de forma relevante, isso deve ser declarado no pull request ou na contribuição.
- Licenciamento. Usa apenas ferramentas e outputs que possam ser licenciados como GPL 2 ou posterior. Se não tens a certeza, não submetas e pergunta nos canais apropriados.
- Qualidade acima de volume. Evita conteúdo inchado ou genérico, aquilo a que chamam no AI slop.
Quanto ao uso de IA para código:
- São aceitáveis, sempre com revisão humana: Scaffolding, boilerplate, sugestões de refactors, bem como rascunhos de comentários e documentação.
- Evita alterações que não compreendes, padrões ou dependências fora dos standards do WordPress, e código copiado com origem pouco clara ou incompatível com GPL.
- Antes de submeter, lê tudo e remove o que não consegues explicar, alinha com os standards, adiciona ou ajusta testes, corre as suites de testes relevantes e documenta os comandos usados.
Para testes, documentação, issues e reviews:
- Testes e avaliações de qualidade. A IA pode ser usada para propor casos limite e transformar passos manuais em automação, mas os testes têm de ser validados para garantir que são realistas, determinísticos e não dependem de serviços externos instáveis.
- Documentação e comunicação. Revê nomes de funções, hooks e opções, verifica links, evita referências inventadas e verbosidade desnecessária, e garante que quaisquer materiais ou recursos são também compatíveis com GPL.
- Issues e suporte. Esboçar com IA é aceitável, mas as issues têm de ser reproduzidas em instalações reais e incluir passos concretos, logs ou capturas de ecrã, não templates genéricos.
- Maintainers. Podem pedir clarificações, testes adicionais ou explicações, e podem rejeitar contribuições com origem pouco clara, baixa qualidade ou riscos de licenciamento. A IA não pode ser a única revisora.
No geral, a orientação apela ao bom senso e a evitar o uso indiscriminado de IA, tratando a IA como uma ferramenta de apoio.
Nova versão do Gutenberg com suporte para CSS personalizado por bloco
Foi lançada uma nova versão do plugin experimental Gutenberg 22.5, com várias atualizações relevantes. Entre elas está o suporte para CSS personalizado por bloco, permitindo aplicar CSS a instâncias individuais de um bloco sem afetar outras do mesmo tipo, com uma classe has-custom-css automática para facilitar a gestão de estilos.
Foram também adicionados controlos de proporção ao bloco de Imagem, para que, ao usar alinhamento wide ou full, o editor mostre definições de proporção para manter consistência nas imagens em diferentes layouts.
Noutra área, melhorias na Vista de lista passam a mostrar títulos completos e conteúdo real, em vez de etiquetas genéricas, facilitando a navegação e a estruturação de conteúdos complexos.
Além disso, foram:
- adicionados controlos de ponto focal para fundos fixos no bloco Capa,
- existe agora uma opção de coluna de texto no bloco Parágrafo,
- os menus de navegação podem ser configurados com submenus sempre abertos,
- e começou o trabalho inicial em revisões dentro do editor.
Equipa de Core propôs integrar o WP AI Client no WordPress 7.0
A equipa de Core propôs integrar o WP AI Client no WordPress 7.0 como infraestrutura de desenvolvimento que permite ao código do WordPress comunicar com modelos de IA generativa através de uma API unificada, integrando transporte HTTP, gestão de credenciais, REST, JavaScript e geração de prompts, e ligando o nativamente à Abilities API já existente no Core.
O objetivo é centralizar e unificar a base para que plugins e código consigam detetar se existe um modelo configurado, invocar capacidades de IA e, se não houver nenhum disponível, desativar funcionalidades de IA sem quebrar nada. Não inclui fornecedores nem ativa IA por defeito, nem introduz interfaces de assistente ou experiências ao nível do produto.
A proposta define claramente o âmbito e os limites. Pretende disponibilizar:
- uma API PHP adaptada ao WordPress e um Prompt Builder,
- abstração de fornecedor e modelo,
- integração com o sistema de credenciais no wp admin,
- endpoints REST e JavaScript para casos de uso no editor e na administração,
- e controlo granular sobre a execução de prompts, com forte ênfase em segurança, privacidade e impacto mínimo quando não é usado.
Credenciais, modelos e interfaces de assistente estão explicitamente fora do âmbito do Core, e essas experiências deverão viver em plugins como o AI Experiments.
A equipa de Core AI lançou um convite aberto à comunidade para testar novas experiências de IA dentro do plugin AI Experiments, com o objetivo de recolher feedback cedo antes de tomar decisões sobre a direção futura. O foco é explorar novas experiências de interface e fluxos de interação com assistentes de IA, sobretudo no editor, para perceber que abordagens funcionam bem, quais criam fricção e que padrões devem ser descartados cedo.
Entre as novas experiências em teste estão várias abordagens a interfaces de assistente de IA no editor, para compreender como e quando faz sentido interagir com IA durante a criação de conteúdo.
Isto inclui:
- painéis contextuais que reagem à seleção ou ao estado do conteúdo,
- fluxos conversacionais mais guiados para tarefas específicas como resumir, reescrever ou gerar rascunhos,
- e padrões de interface que separam claramente sugestões de IA da ação final do utilizador.
Apresentado o WordPress MCP Adapter
No Developer Blog, foi publicado um artigo intitulado From Abilities to AI Agents: Introducing the WordPress MCP Adapter, que apresenta o WordPress MCP Adapter. É uma peça chave da iniciativa AI Building Blocks que liga a Abilities API do WordPress ao standard aberto Model Context Protocol, MCP, permitindo uma interação estruturada e segura entre agentes de IA e sites WordPress.
O adaptador suporta transporte HTTP e STDIO, oferece controlo granular de permissões e validação, e expõe capacidades do WordPress a agentes de IA sem exigir integrações específicas para cada fornecedor ou modelo. Com esta arquitetura, um agente pode, por exemplo, listar, criar ou modificar conteúdo num site, respeitando permissões e aprovações do utilizador, e o WordPress pode até atuar como servidor MCP ou cliente MCP para interagir com outros serviços ou workflows orientados por IA.
Equipa de testes acrescenta novos colaboradores
O programa de formação da equipa de Test, após um mês de trabalho intensivo, terminou com uma avaliação positiva e lições claras para melhorar o onboarding de contribuidores.
Começou com nove participantes e terminou com seis, que durante o processo trabalharam em testes, melhorias de documentação, facilitação de reuniões e feedback contínuo num canal dedicado no Slack.
A estrutura evoluiu ao longo do tempo. A primeira semana focou-se em protocolos de testes, a segunda em processos de reuniões e recolha de feedback, a terceira em melhorias de documentação e início de um programa de vídeo, e a quarta em fechar questões em aberto e rever os objetivos futuros da equipa.
Em termos de resultados, o maior impacto foi na fila de tickets needs testing, que desceu de 487 para 264, quase uma redução de 50 por cento, mostrando que o protocolo já permite um ritmo alto e consistente. Foram também recolhidas propostas de melhoria de documentação num repositório GitHub, e foi anunciado que o Test Contributor Pathway em vídeo está quase concluído, com planos para abrir um programa beta para recolher feedback antes do lançamento oficial.
O programa é descrito como muito eficaz, mas extenuante de executar, e repeti-lo exigirá torná-lo mais sustentável e distribuir melhor a carga de trabalho à medida que novos membros se juntam.
Lisboa WordPress Meetup
O Lisboa WordPress Meetup de fevereiro é esta terça, dia 10, numa sessão onde serão criadas secções populares de sites a partir do zero para demonstrar o poder do Greenlight Blocks.
Este Meetup será apresentado em inglês e orientado por Shukhrat Bobomuratov.
A participação é gratuita mas pede-de a inscrição prévia na página do evento no Meetup.com.
Por fim, este podcast é distribuído sob uma licença Creative Commons como uma versão derivada do podcast em espanhol. Podes encontrar todos os links para mais informação, e o podcast noutras línguas, em WPpodcast .org.
Obrigado por ouvires, e até ao próximo episódio.
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