O WordPress 7.0 entra na sua fase final, com quase tudo fechado e o foco agora virado para os últimos ajustes.
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Transcrição do programa
Olá, sou José Freitas e estás a ouvir o WPpodcast, que traz as notícias semanais da Comunidade WordPress.
Neste episódio, encontras a informação de 23 a 29 de março de 2026.
Matt Mullenweg abriu uma discussão no Make Core sobre o menu lateral esquerdo do painel de administração. O problema é bem conhecido: qualquer plugin pode adicionar itens de menu onde quiser, sem uma ordem estabelecida, o que faz com que, em sites com vários plugins ativos, o menu acabe por se tornar numa confusão difícil de navegar.
A proposta do Matt passa por estabelecer uma hierarquia: primeiro os itens do núcleo do WordPress, seguidos de uma secção dedicada aos plugins, onde plugins mais pesados, como o WooCommerce ou um LMS (plataforma para cursos online), teriam a sua própria entrada de topo que reuniria todo o seu universo.
Para evitar que plugins importantes fiquem enterrados no fundo, sugere permitir fixar itens ou mostrar automaticamente no topo os três plugins usados mais recentemente.
O argumento a favor desta mudança é simples: a barra lateral atual não tem lógica estrutural e a experiência em instalações com muitos plugins é objetivamente má. Uma hierarquia clara também beneficiaria agentes de IA e ferramentas de automação, que estão cada vez mais a interagir com a administração do WordPress. É um problema real que ficou sem solução oficial durante anos.
O que está a gerar dúvidas na comunidade resume-se à ‘memória muscular’. A navegação lateral do WordPress tem uma estrutura familiar há décadas, e mudá-la implica reaprender. Vários comentários referem que listas de “usados recentemente” podem ser particularmente contraproducentes, uma vez que o menu muda de posição em função do comportamento do utilizador, tornando impossível criar hábitos estáveis.
Alguns prefeririam dar aos utilizadores controlo para ordenarem o menu por si próprios, como plugins como o Admin Menu Editor já fazem, em vez de impor uma nova estrutura a partir do núcleo. Outros questionam se não seria mais eficaz começar por um conjunto de boas práticas para developers de plugins, sem qualquer alteração de código.
É uma conversa aberta, ainda sem decisões tomadas, mas é significativo que tenha sido o próprio Matt a iniciá-la no blog do Core.
Um mês de lançamentos
Foi um mês intenso de lançamentos, por isso vale a pena fazer uma recapitulação estruturada de tudo o que foi lançado e do que ainda está por vir.
Começando pelas releases de segurança do 6.9. No início de março, foram lançadas três releases de manutenção em menos de 48 horas.
- O WordPress 6.9.2 corrigiu dez vulnerabilidades de segurança, mas horas depois do lançamento fez com que alguns sites com temas clássicos mostrassem um ecrã em branco.
- A resposta foi o 6.9.3, publicado no mesmo dia. No dia seguinte, descobriu-se que três dos patches de segurança do 6.9.2 não tinham sido corretamente incluídos no pacote, o que obrigou ao 6.9.4.
- Mais tarde, a equipa de segurança publicou uma retrospetiva pública a reconhecer a falha no processo, a identificar as causas de raiz e a comprometer-se com melhorias concretas na checklist de lançamento e na automatização dos backports para versões mais antigas.
Um ciclo de betas do WordPress 7.0
Em paralelo, decorreram as betas do WordPress 7.0. O ciclo beta prolongou-se mais do que estava previsto. Para além das cinco betas originalmente agendadas, foi necessária uma Beta 4 de emergência para incluir os patches de segurança do 6.9.2, e foi preciso uma Beta 6 depois de terem sido detetados problemas de desempenho na colaboração em tempo real, no tamanho do pacote de instalação e na otimização de imagens no lado do cliente.
Esta última funcionalidade foi revertida temporariamente, a colaboração em tempo real passou a estar em opt-in por omissão e os intervalos de sincronização foram multiplicados por quatro para reduzir a carga no servidor.
A Release Candidate 1 chegou com 134 correções adicionais face à Beta 5. Para além das correções habituais, incorporou o ecrã de AI Connectors e a command palette na barra de administração, funcionalidades adicionadas fora do ciclo beta original e consideradas partes essenciais da funcionalidade central desta release.
A Release Candidate 2, publicada apenas dois dias depois, encerra o período de congelamento das strings de tradução, dando à equipa Polyglots tempo para preparar as traduções para a release final.
O WordPress 7.0 será lançado a 9 de abril de 2026, coincidindo com o Contributor Day do WordCamp Asia, em Mumbai. Se tens plugins ou temas, este é o momento para atualizares o campo “Tested up to” para 7.0 no teu ficheiro readme.txt.
Core lança notas para programadores
A equipa de Core publicou duas dev notes do WordPress 7.0 dirigidas a developers, com implicações importantes para perceber para onde a plataforma está a caminhar.
O cliente nativo de IA no WordPress 7.0 está integrado no núcleo, o que significa que qualquer plugin pode enviar prompts para modelos de IA sem ter de gerir credenciais nem preocupar-se com o fornecedor configurado no site. O ponto de entrada é wp_ai_client_prompt, que devolve um objeto para construir prompts numa cadeia fluida: texto, temperatura, número máximo de tokens, instruções de sistema, formato de resposta e mais.
Suporta geração de texto, imagem, áudio e vídeo, dependendo do fornecedor disponível. O mais importante para os programadores de plugins é que o cliente abstrai completamente o fornecedor: o plugin descreve o que precisa e o WordPress trata de o encaminhar para o modelo disponível nesse site específico.
A Skills API chegou ao WordPress 6.9 no lado do servidor, permitindo que agentes de IA e ferramentas de automação descubram e executem funções do WordPress de forma estruturada. No WordPress 7.0, chega a sua contraparte em JavaScript, com dois pacotes:
- um genérico para gestão de estado, que pode ser usado em qualquer projeto,
- e outro específico para WordPress, que carrega automaticamente todas as skills registadas no servidor através da REST API.
Os plugins podem registar as suas próprias skills no browser, com esquemas de input e output, verificações de permissões e anotações comportamentais. Na prática, isto abre a porta para que agentes de IA interajam diretamente com o WordPress a partir do browser, sem necessidade de pedidos ao servidor para cada ação.
Ambas as APIs foram desenhadas para funcionar em conjunto: o cliente de IA gere as conversas com os modelos, e a Skills API expõe o que o WordPress pode fazer para que esses modelos atuem no site de forma estruturada e segura.
AI Experiments mudou de nome
A equipa de IA teve uma semana marcada por dois destaques muito ligados entre si.
O primeiro é o lançamento da versão 0.6 do plugin AI, que traz atualizações funcionais e também uma mudança importante de nome. O plugin deixou de se chamar AI Experiments e passou a chamar-se simplesmente AI, uma alteração que reflete a sua crescente maturidade enquanto ferramenta central para funcionalidades de IA no WordPress.
A novidade mais visível desta versão é a edição de imagens com IA diretamente a partir da Biblioteca Multimédia: os utilizadores podem refinar imagens geradas através de prompts iterativos, editar imagens existentes e aplicar ações predefinidas, como expandir ou remover fundos e substituir elementos dentro de uma imagem.
Internamente, a arquitetura do plugin também evoluiu: as experiências são agora tratadas como um tipo de funcionalidade próprio, abrindo caminho para que as mais maduras passem a funcionalidades estáveis em versões futuras.
Guidelines no Gutenberg 22.7
O segundo destaque é a chegada das Guidelines ao Gutenberg 22.7, uma funcionalidade experimental que permite definir normas editoriais a nível do site a partir de um novo ecrã no menu Definições.
A ideia é ter um local centralizado para documentar tom de voz, preferências visuais, regras por tipo de bloco e quaisquer outras orientações editoriais, para que tanto editores humanos como ferramentas de IA trabalhem a partir da mesma fonte de verdade.
A funcionalidade inclui importação/exportação em JSON e histórico de revisões. Para já, é uma experiência que tem de ser ativada manualmente nas definições do Gutenberg, mas a equipa já está a considerar propô-la como funcionalidade do núcleo para o WordPress 7.1.
Comunidade teste estratégia de marketing
A equipa de Comunidade está a testar uma nova estratégia de marketing para aumentar a participação nos WordCamps flagship. A ideia é identificar utilizadores de WordPress com presença local relevante, como fotógrafos, artistas, escritores, criadores de conteúdo ou negócios, que já usem WordPress mas nunca tenham participado em eventos da comunidade, e convidá-los pessoalmente.
Os critérios de seleção apontam para pessoas com mais de 10.000 seguidores nas redes sociais, ou com investimento significativo na sua presença online, que vivam perto do local do evento. O contacto é direto e personalizado, sem recurso a métodos de marketing massificado. Quem aceitar pode ser integrado no programa do evento como speaker ou participante em painéis, ou simplesmente receber visibilidade através de entrevistas e conteúdos antes do evento.
A equipa já partilhou listas de sites WordPress locais com os organizadores dos três WordCamps flagship de 2026: WordCamp Asia, WordCamp Europe e WordCamp US. A execução concreta ficará a cargo de cada equipa organizadora local.
WordCamp Portugal anuncia primeiros oradores
A organização do WordCamp Portugal 2026 anunciou o primeiro lote de oradores do evento.
Gemny Ibarra vai liderar um workshop em inglês, “From Burnout to Balance: Build Your AI Accountability Bot“, onde vai ensinar a utilizar ferramentas no-code como o Make.com para criar um bot de Telegram pessoal. Esta sessão foca-se no uso da automação para a saúde mental e prevenção do burnout.
Milana Cap é engenheira de WordPress na XWP e na Toptal, e uma líder de longa data na equipa de Documentação do WordPress. No WordCamp Portugal vai apresentar “WordPress gems for devs: Accessibility with Interactivity API“, onde explora o impacto da Interactivity API no desenvolvimento web moderno.
José Freitas vai falar sobre “Dá um rosto à IA: O Método F.A.C.E. para conteúdo de autoridade em WordPress“, no qual será apresentada uma fórmula estratégica para humanizar a IA e criar conteúdo de alta qualidade e autoridade.
Entretanto, o evento só tem, neste momento, 3 vagas de patrocinador. Os bilhetes também estão à venda.
Criação de conteúdo com IA no Meetup de Lisboa
A criação de conteúdo com IA será o tema central do próximo Meetup de Lisboa, na terça, dia 14 de Abril.
Com apresentação de Pedro Borges vamos percorrer o processo completo de criação de conteúdo visual com inteligência artificial. A sessão inclui demonstrações ao vivo e termina com ideias de aplicação prática em contexto de negócio.
O evento é no IDEA Spaces, Palácio Sottomayor Palace, em Lisboa, às 19h00.
A participação é gratuita mas é exigido o registo de presença na página do evento no Meetup.com.
E por fim, este podcast é distribuído sob uma licença Creative Commons como versão derivada do podcast em espanhol; podes encontrar todos os links para mais informação, bem como o podcast noutras línguas, em WPpodcast .org.
Obrigado por ouvires e até ao próximo episódio.
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