96. O que nos traz o WordPress 7.0

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O WordPress 7.0 chega a 20 de maio e traz muitas novidades, embora algumas das mais relevantes tenham ficado de fora. Aqui fica um resumo de tudo o que esta nova versão inclui.

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Transcrição do programa

Olá, sou José Freitas e estás a ouvir o WPpodcast, com as notícias semanais da comunidade WordPress.

Neste episódio, vais encontrar a informação de 11 a 17 de maio de 2026.

Esta semana, depois do lançamento do RC3 e do RC4, que foram verdadeiros candidatos a lançamento, chega o WordPress 7.0, e não é um lançamento qualquer. Com mais de 400 tickets fechados no Core, quase 500 melhorias no editor e quase 500 correções de bugs, é o lançamento mais recheado de funcionalidades desde a integração do Gutenberg.

Vamos passar em revista tudo o que traz, começando pelo que os utilizadores vão notar primeiro e terminando com o que interessa aos programadores.

As principais novidades para os utilizadores

A primeira coisa que os utilizadores vão notar ao atualizar para a versão 7.0 é que a administração do WordPress tem um novo visual.

O esquema de cores predefinido, chamado “Fresh”, foi substituído por um novo chamado “Modern”. Está:

  • mais limpo,
  • com melhor contraste,
  • tipografia melhorada
  • e uma aparência mais consistente com o editor de blocos.

Esta alteração é puramente visual, sem mudanças estruturais nem renomeação de classes CSS. Além disso, a navegação entre ecrãs da administração passa a incluir transições suaves graças à View Transitions API do navegador, embora só sejam ativadas se o utilizador não tiver configurado uma preferência de redução de movimento no sistema operativo. O resultado é uma experiência de administração que, finalmente, já não parece saída de há uma década.

Outra alteração que será imediatamente visível é o acesso rápido à paleta de comandos a partir da barra de administração. Um simples clique no ícone de pesquisa, ou o atalho de teclado Ctrl+K no Windows ou Command+K no Mac, abre a paleta de comandos a partir de qualquer ecrã da administração, seja ao editar um artigo, ao rever a lista de plugins ou em qualquer outro local. Pequena alteração mas grande impacto na produtividade.

As revisões visuais

Uma das funcionalidades em destaque neste lançamento são as Revisões Visuais.

O sistema de revisões do WordPress foi completamente repensado. Já não é necessário sair do editor para comparar versões: tudo acontece agora dentro do próprio editor de blocos, com um modo de revisão que é ativado sem mudar de ecrã.

Um controlo deslizante no cabeçalho permite navegar pelo histórico de versões, vendo as alterações em tempo real diretamente no conteúdo.

O sistema usa um código de cores intuitivo: amarelo para blocos modificados, vermelho para texto eliminado e verde para texto adicionado. Para documentos longos, existe um minimapa junto à barra de deslocamento que indica onde estão as alterações, e um clique leva diretamente para essa secção.

Ao rever o histórico, o botão de publicação transforma-se num botão de restauro. Há também atualizações nas Notas:

  • os dados passam a sincronizar automaticamente,
  • é possível adicionar notas a vários blocos de uma só vez com seleção parcial e edição de texto enriquecido,
  • existe um novo widget no painel,
  • notificações por email quando alguém deixa um comentário no teu conteúdo
  • e um atalho de teclado para adicionar notas rapidamente.

A integração de IA

O outro grande impulso no WordPress 7.0 é a integração de IA diretamente no core. O WordPress passa a incluir um cliente de IA e um ecrã de conectores, disponível em Definições → Conectores. A partir daí, é possível gerir ligações a fornecedores de IA como OpenAI, Anthropic ou Google: o WordPress deteta automaticamente o fornecedor, instala o plugin correspondente e solicita a chave de API.

A arquitetura é agnóstica em relação ao fornecedor, o que significa que funciona da mesma forma independentemente do serviço escolhido pelo utilizador.

Esta infraestrutura não se limita à IA: qualquer plugin que precise de se ligar a um serviço externo pode tirar partido deste sistema centralizado de gestão de chaves e ligações.

Para ver a IA em ação, o plugin AI está disponível no repositório com funcionalidades como a geração de títulos, excertos e texto alternativo para imagens.

A gestão de fontes

A gestão de fontes também recebe atualizações importantes. Anteriormente, o gestor de fontes estava escondido dentro dos estilos globais do editor de blocos.

No WordPress 7.0 passa a existir uma página dedicada no menu Aparência, disponível para todos os tipos de tema, tanto de blocos como clássicos. A partir daí, é possível instalar, gerir e pré-visualizar fontes num único espaço, sem ter de navegar por vários painéis aninhados.

Novos blocos e alterações nos existentes

Quanto a novos blocos, o WordPress 7.0 inclui dois. O primeiro é o bloco Breadcrumb, que gera automaticamente a hierarquia de navegação da página atual: funciona com páginas hierárquicas, taxonomias, arquivos de categorias, resultados de pesquisa, páginas de erro 404 e tipos de conteúdo personalizados.

Tem opções de alinhamento e permite configurar se o último elemento aparece como texto ou como link. O segundo novo bloco é o bloco Icon, que permite adicionar ícones decorativos a partir de uma coleção integrada diretamente no core do WordPress. A extensibilidade para coleções de terceiros está planeada para o WordPress 7.1.

Há muitas melhorias em blocos existentes:

  • O bloco Gallery passa a ter navegação completa em lightbox: é possível ver imagens em grande formato e navegar entre elas com botões, teclado ou toque em dispositivos móveis, incluindo suporte para leitores de ecrã.
  • O bloco Capa passa a poder usar vídeos incorporados de plataformas como YouTube ou Vimeo como fundo de secções, sem necessidade de carregar o ficheiro de vídeo para o servidor, reduzindo significativamente o consumo de largura de banda e armazenamento.
  • O bloco HTML foi redesenhado: passa a abrir numa modal com separadores separados para HTML, CSS e JavaScript, tornando-se uma ferramenta muito mais útil para personalização avançada.
  • O bloco Imagem tem edição inline melhorada, com controlos mais acessíveis para cortar, rodar e ampliar, além de suporte para ponto focal e ajuste de proporção em alinhamentos largos e totais.
  • O bloco Grelha passa a ser responsivo mesmo quando está definido um número fixo de colunas: antes era necessário escolher entre responsivo ou fixo; agora é possível definir ambos, e o número de colunas funciona como máximo enquanto a grelha se adapta à largura disponível.
  • O bloco Parágrafo ganha suporte para indentação de texto, configurável ao nível do bloco individual ou globalmente a partir dos estilos do tema, bem como para texto em colunas.
  • O bloco Verso foi renomeado para Poesia.
  • O Query Loop passa a permitir excluir termos dos resultados.

Duas funcionalidades merecem destaque especial pelo impacto na criação de sites.

A primeira é a visibilidade de blocos por dispositivo: em qualquer bloco, é possível escolher se aparece em desktop, tablet ou móvel, sem afetar os restantes tamanhos. Os blocos com regras de visibilidade ativas mostram um indicador na vista de lista do editor.

A segunda é a personalização dos menus hamburger em dispositivos móveis: o bloco Navigação passa a permitir criar sobreposições totalmente personalizadas a partir do Editor do Site, com os seus próprios padrões, estilos e até um bloco dedicado para o botão de fechar. O WordPress inclui quatro modelos de sobreposição predefinidos para começar rapidamente.

Edição de padrões

A edição de padrões também mudou significativamente. Por predefinição, os padrões passam a entrar em modo apenas de conteúdo quando são selecionados: em vez de veres todos os blocos individuais, vês um painel com campos de texto e imagem diretamente editáveis, sem tocar na estrutura de design. Se for necessário modificar o design completo, é possível aceder através do botão de edição do padrão. O objetivo é que os padrões funcionem como objetos inteligentes de design: o conteúdo é editável, a estrutura fica protegida por predefinição.

Outras melhorias de qualidade de vida para todos os utilizadores:

  • o seletor de cores passa a permitir colar valores diretamente da área de transferência, sem selecionar manualmente o tom;
  • o controlo de links valida URLs antes de guardar, para evitar links quebrados;
  • e o registo de novos utilizadores torna-se mais seguro porque os papéis de administrador e editor foram removidos do seletor de papel predefinido, evitando que um novo utilizador receba permissões elevadas por acidente.

Para fechar a secção virada para o utilizador, vale a pena referir as melhorias de acessibilidade:

  • a reposição de senha passa a preencher previamente o nome de utilizador para cumprir a WCAG 2.2,
  • existe uma nova funcionalidade para importar texto alternativo a partir dos metadados IPTC das imagens,
  • e o CSS para texto apenas para leitores de ecrã foi melhorado para evitar que alguns leitores leiam o texto letra a letra.

As principais novidades para os programadores

Passando para o lado dos programadores, o WordPress 7.0 inclui um cliente de IA acessível a partir de PHP através de uma função centralizada que abstrai completamente o fornecedor: os plugins não precisam de gerir chaves nem de se preocupar com o serviço usado pelo proprietário do site. Há também uma Abilities API do lado do cliente, como complemento à API do lado do servidor que chegou com o WordPress 6.9, permitindo registar capacidades acessíveis a partir de JavaScript.

Para programadores de blocos, a atualização mais importante é o registo de blocos exclusivamente em PHP: com a flag autoRegister e uma callback de renderização, é possível criar um bloco sem escrever JavaScript, e o WordPress gera automaticamente os controlos do inspetor a partir dos atributos declarados.

Mas há muito mais:

  • O sistema Pattern Overrides passa agora a abranger qualquer bloco, não apenas os quatro blocos do core que o suportavam anteriormente.
  • DataViews e DataForms recebem novos layouts, validação e melhorias de agrupamento.
  • A Interactivity API adiciona uma função watch() para responder de forma reativa a alterações de estado.
  • O editor passa a forçar o iframe quando todos os blocos do artigo usam a versão 3 ou superior da Block API.
  • O CodeMirror é atualizado para a versão 5 com suporte para ES6. A versão mínima exigida do PHP passa a ser a 7.4. backbone.js, a biblioteca Requests e o PHPMailer também são atualizados.
  • Há um novo filtro para personalizar os separadores da lista de plugins, a lógica dos Block Hooks passa para o controlador REST, e são lançadas as bases para um sistema de routing extensível para o Editor do Site, que irá sustentar novas páginas de administração em versões futuras.

O WordPress 7.0 será lançado na quarta-feira, 20 de maio, por volta das 18:00.

Plugin AI chegou à 0.9

O plugin oficial AI do WordPress chegou à versão 0.9 e traz duas novas experiências centradas nos fluxos editoriais.

A primeira é a moderação de comentários com IA: o sistema analisa automaticamente cada comentário através da deteção de sentimento e toxicidade antes de chegar à fila de moderação, ajudando os administradores a identificar spam, assédio ou conteúdo de baixa qualidade sem terem de rever manualmente cada comentário.

A segunda experiência é o redimensionamento de conteúdo: a partir da barra de ferramentas do editor, é possível selecionar texto e pedir para o encurtar, expandir ou reformular no momento, com uma modal a mostrar a versão original e a nova versão para decidir se deve ser aceite. Ambas são funcionalidades pensadas para agilizar tarefas editoriais do dia a dia sem sair do editor.

Do lado mais técnico, a versão 0.9.0 adiciona um modo de programador na página de definições do plugin, que permite escolher fornecedor e modelo de IA de forma independente para cada função. Isto facilita a comparação do comportamento de diferentes modelos ou fornecedores em tarefas específicas, útil para otimizar custo e desempenho.

Há também um novo comando WP-CLI, wp ai alt-text generate, que permite gerar texto alternativo em massa para uma biblioteca de media inteira sem passar pela interface gráfica, ideal para migrações, auditorias de acessibilidade ou pipelines de automação editorial.

A equipa pretende publicar a versão 1.0 na terça-feira, 19 de maio, um dia antes do lançamento do WordPress 7.0, para que os early adopters tenham a versão estável do plugin disponível como complemento à nova versão do core.

Uma das experiências planeadas para a versão 1.0 é o sistema de aprovação de conectores: por predefinição, nenhum plugin instalado poderá usar conectores de IA ou aceder a chaves de API armazenadas sem aprovação explícita do administrador. A razão é que, ao contrário dos riscos tradicionais dos plugins com opções da base de dados, os modelos de linguagem têm a particularidade de conseguir absorver e transmitir contexto de forma não determinística, tornando o controlo de acesso especialmente importante.

A equipa reconheceu abertamente que este sistema não elimina todos os riscos, uma vez que um plugin malicioso poderia continuar a ler chaves diretamente da base de dados, mas a decisão foi avançar agora com a experiência e desenvolvê-la em versões futuras, em vez de esperar por uma solução perfeita.

A segunda experiência incluída é o registo de pedidos à IA, usando uma tabela dedicada na base de dados para evitar problemas de desempenho, com contexto truncado para prevenir armazenamento excessivo, e acompanhamento opcional de tokens em cache para simplificar a análise de custos com fornecedores como Anthropic ou OpenAI.

Tutorial sobre como criar um plugin de geração de imagens

O Developer Blog publicou um tutorial prático que mostra como criar um plugin de geração de imagens usando o novo cliente de IA no WordPress 7.0:

  • o plugin adiciona um botão à Biblioteca Multimédia,
  • o utilizador escreve um prompt,
  • é gerada uma imagem,
  • e essa imagem pode ser guardada diretamente como anexo, tudo sem o plugin gerir chaves de API nem ficar preso a um fornecedor específico.

O interessante neste exemplo é que deixa claro quanto código é realmente IA e quanto é WordPress standard:

  • a integração com o cliente de IA ocupa apenas uma dúzia de linhas;
  • o resto é registo de rotas REST, gestão de media e carregamento de scripts, exatamente como em qualquer outro plugin.

Poliglotas aposta em melhor usabilidade no editor de traduções

A equipa Polyglots traz duas propostas.

A primeira é uma melhoria de usabilidade no editor de traduções: os validadores tinham de alternar entre separadores para rever o contexto de uma string e depois voltar ao separador Meta para aprovar, rejeitar ou marcar como fuzzy, porque os botões de ação só apareciam aí. Agora existe uma barra fixa no topo do editor que replica esses botões e permanece visível independentemente do separador ativo, eliminando esse vai e vem desnecessário.

A segunda atualização é a renovação dos modelos OpenAI disponíveis para sugestões automáticas de tradução: a lista anterior de doze modelos foi reduzida para cinco, agrupados por preço, com gpt 5.5 pro no nível mais alto, gpt 5.5 e 5.4 no nível intermédio, e gpt 5.4 mini e 5.4 nano no nível mais baixo.

WordCamp Portugal foi um enorme sucesso

O fim de semana em Portugal ficou marcado pela realização do WordCamp Portugal. Depois de anos a realizar o WordCamp sob as denominações de WordCamp Porto ou WordCamp Lisboa, a comunidade portuguesa decidiu passar a denominar o principal evento anual como WordCamp Portugal, tendo sido realizada esta primeira edição no Porto.

O grande tema deste ano foi, sem qualquer dúvida, o impacto da inteligência artificial na web e no WordPress, tanto na perspectiva de quem desenvolve, como na criação de conteúdos e nos utilizadores.

Houve diversas apresentações sobre o tópico da inteligência artificial, marcou todo o evento em termos de conteúdo de conversas nos corredores.

Outros temas foram a acessibilidade e a responsabilidade tecnológica, além da gestão de clientes.

O WordCamp Portugal teve a participação de cerca de 250 pessoas. Destas, 130 participaram também no primeiro dia, o Dia da Comunidade. Pelo segundo ano consecutivo, realizou-se um modelo misto, com espaços de colaboração, um fórum sobre o futuro da comunidade e sessões de partilha.

Dia de IA sobre WordPress e WordCamp Portugal 2027

Como prova maior da vitalidade e determinação da comunidade portuguesa de WordPress, saíram do WordCamp Portugal dois novos eventos.

Em termos de calendário:

  • o primeiro será um Dia de WordPress para IA. Está previsto para 24 de outubro, em Faro;
  • o segundo foi o agendamento do WordCamp Portugal 2027, estimado para Maio do próximo ano, em Lisboa.

Porto WordPress Meetup debate IA na Web e no WordPress

A Revolução da IA na Web e no WordPress: o que vai acontecer a partir daqui é o tema da edição de Maio do Porto WordPress Meetup.

Estamos a viver aquela que promete ser a transformação mais decisiva na internet desde a massificação do email. A Inteligência Artificial já não é uma promessa de futuro para se tornar no motor presente da criação, otimização e engenharia web.

Como é que a web está a mudar? Como é que o ecossistema WordPress se está a adaptar? Que ferramentas estão a moldar o fluxo de trabalho dos profissionais e o que podemos esperar nos próximos meses?

Para debater o impacto real, os desafios éticos, a performance e o futuro do desenvolvimento web, reunimos um painel de luxo com três programadores da nossa comunidade que trazem visões e experiências diversas sobre a utilização de IA:

  • Marcel Schmitz
  • Marco Pereirinha
  • Tiago Santos

Este não será um painel de teorias académicas. Vamos discutir código, automação, produtividade, acessibilidade e como manter a Web aberta e humana na era dos agentes autónomos.

A entrada é gratuita, mas os lugares são limitados à capacidade do auditório.

O Porto WordPress Meetup de Maio será no dia 28, às 19h00, no Auditório do Porto Innovation Hub, no Largo do Dr. Tito Fontes 15, no centro da cidade.

E, por fim, este podcast é distribuído sob uma licença Creative Commons como versão derivada do podcast em espanhol; podes encontrar todos os links para mais informação, e o podcast noutros idiomas, em WPpodcast .org.

Obrigado por ouvires, e até ao próximo episódio.

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