109. Temas acessíveis? Para quê?

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Surgiu uma nova controvérsia em torno dos temas acessíveis, com a comunidade WordPress a assumir uma posição muito clara.

Lembre-se de que pode ouvir este programa no:

Transcrição do programa

Olá, sou José Freitas e estás a ouvir o WPpodcast, com as notícias semanais da comunidade WordPress.

Neste episódio, encontras a informação de 10 a 16 de agosto de 2026.

A equipa de Acessibilidade passou dois anos a atualizar, pela primeira vez em catorze anos, os critérios para a etiqueta accessibility-ready dos temas do repositório WordPress, passando das WCAG 2.0 para as WCAG 2.1 Nível AA e revendo mais de uma centena de temas do repositório.

O trabalho estava previsto terminar antes de 30 de setembro, até Matt Mullenweg intervir diretamente para declarar a iniciativa “adiada permanentemente”, acrescentando que qualquer committer pode ignorar as recomendações da equipa de Acessibilidade. A resposta de Joe Dolson, responsável pela equipa, foi imediata: o programa é voluntário e continuará até à data prevista. Amber Hinds, que tinha liderado a reformulação, pediu a Mullenweg que esclarecesse se a intenção é permitir que qualquer tema utilize a etiqueta sem revisão, algo que, tecnicamente, já acontece e que constitui precisamente o problema que a equipa tem tentado resolver ao longo dos últimos anos. A pergunta continua sem resposta.

A ambiguidade de Mullenweg não é apenas uma questão interna. A Diretiva (UE) 2016/2102 exige que os sites do setor público cumpram as WCAG 2.1 Nível AA, e o WordPress está por detrás de uma enorme proporção desses sites na Europa. Se a etiqueta accessibility-ready deixar de ter qualquer verificação, quem instalar num site público um tema identificado dessa forma poderá estar a violar a legislação do respetivo país.

Ryan Boren, antigo committer de peso no projeto, classificou esta abordagem como uma forma de terminar uma discussão sem a debater. Eric Eggert, especialista em acessibilidade com experiência na transposição de diretivas europeias, questionou diretamente o estilo de liderança e a forma como são tratados os colaboradores voluntários. Elena Brescacin, utilizadora invidual e oradora habitual em WordCamps, recordou que a acessibilidade não se destina apenas a pessoas com incapacidades permanentes: qualquer pessoa pode, em algum momento da vida, precisar de acesso por teclado, alto contraste ou navegação por voz.

O resultado é um impasse pouco habitual: Dolson afirma que a equipa continua o trabalho, Mullenweg diz que terminou, e permanece por esclarecer o que acontecerá a 1 de outubro aos temas que não tenham solicitado revisão.

Plugin canónico “Accessibility Labs”

Em paralelo, Anne McCarthy, Release Lead da versão 7.1, propôs a criação de um plugin canónico “Accessibility Labs”, seguindo o modelo do Performance Labs, que funcione como espaço para testar funcionalidades de acessibilidade antes da sua integração no core. Dolson manifestou o seu apoio, com uma condição: tem de existir um caminho real para a integração no core. Sem essa garantia, o plugin poderá transformar-se num repositório de funcionalidades que nunca chegam a ser integradas, precisamente o que aconteceu com outras iniciativas de acessibilidade ao longo dos anos.

WordPress Contributor Toolkit

Já está disponível a primeira versão do WordPress Contributor Toolkit, a aplicação para desktop que começou em abril como “Core Dev Environment Toolkit” e que resolve uma das maiores barreiras para quem dá os primeiros passos no desenvolvimento do core: configurar um ambiente wordpress-develop completo sem ter de instalar manualmente Git, Node ou Docker. Disponível para Windows, macOS com Apple Silicon e Linux, esta versão representa um salto em relação à anterior: não se limita a deixar o ambiente preparado, mas acompanha todo o processo de contribuição, desde a associação de um ticket do Trac até à submissão do trabalho final.

Outra melhoria prática é a possibilidade de o mesmo site alojar trabalho sobre vários tickets em simultâneo, cada um no seu próprio branch, sem ser necessário repetir a instalação completa de cada vez. Existe também um botão para atualizar para a versão de desenvolvimento mais recente sem perder o trabalho em curso. Esta versão chega mesmo a tempo do Contributor Day do WordCamp US e foi explicitamente concebida para que tanto quem contribui pela primeira vez como quem facilita estas sessões possa concentrar-se no próprio ticket, em vez de perder tempo com a configuração do ambiente.

Nova atualização de segurança

Terceira ronda de correções de segurança em pouco mais de um mês: o WordPress 7.0.4 corrige uma vulnerabilidade de execução remota de código para utilizadores autenticados com a função de Autor ou superior, através do carregamento de ficheiros maliciosos em sites que utilizem Imagick e Ghostscript para processar imagens. A falha foi novamente comunicada pela equipa da pwn.ai e tem a referência CVE-2026-65640. Como já se tornou habitual, as correções estão a ser retroportadas até à versão 4.7, e o WordPress 7.1 RC3, lançado no mesmo dia, já as incorpora.

A propósito desse RC3: a versão 7.1 continua a cumprir o calendário previsto, com mais de 90 correções desde o RC1, 37 no editor e 57 no core, e coincide com um marco importante do ciclo: o congelamento total das strings. A partir de agora, os Polyglots podem traduzir a versão final sem receio de alterações nos textos. A data de lançamento mantém-se em 19 de agosto.

Arranca planeamento do WordPress 7.2

Olhando já para o futuro, arrancou o planeamento oficial do WordPress 7.2, com uma data de lançamento proposta entre 8 e 10 de dezembro, coincidindo com o State of the Word. A equipa de Core procura voluntários para a Release Squad: Release Lead, coordenação, Tech Leads, Triage Lead e Test Lead, com prazo para apresentação de candidaturas até 28 de agosto.

A equipa de Training anunciou que os kits de atividades práticas já estão disponíveis no Learn WordPress: pacotes completos e prontos a utilizar por qualquer pessoa que queira organizar uma sessão de formação sobre WordPress sem ter de preparar materiais de raiz. Cada kit inclui um guia para o facilitador e slides, todos concebidos para funcionar no WordPress Playground sem necessidade de instalar nada ou criar contas, com uma duração entre 60 e 90 minutos e um resultado concreto no final da sessão.

Estão disponíveis onze kits, com temas muito variados: desde os primeiros passos para contribuir para o projeto ou criar conteúdos com blocos até sessões mais técnicas, como debugging para programadores com ferramentas como Query Monitor e Xdebug, ou comércio eletrónico com WooCommerce. Existem ainda dois kits dedicados à IA, um para gerir um site local com o Claude Desktop através de linguagem natural utilizando o adaptador MCP, e outro para utilizar o plugin WordPress AI diretamente a partir do desktop, além de kits sobre acessibilidade, SEO, segurança e Playground.

WordPress Credits reforçado

O WordPress Credits, programa criado há um ano para ligar estudantes de todo o mundo a contribuições reais para o WordPress, estreou um dashboard público com dados atualizados semanalmente: estudantes inscritos, instituições participantes, contribuições para o projeto, sites criados e testemunhos de quem está a viver esta experiência em primeira mão.

Em paralelo, foi apresentada uma proposta para resolver uma lacuna evidente no programa: atualmente, quando um estudante termina o curso, não existe um passo seguinte definido e todo o impulso criado acaba precisamente quando essa pessoa está mais preparada para continuar a contribuir. A proposta sugere transformar o WordPress Credits no primeiro degrau de um percurso mais longo, com um caminho claro para a certificação oficial WordPress Developer e para o WordPress Jobs, além de projetos concretos de contribuição especificamente concebidos para diplomados que pretendam regressar, em colaboração com as próprias equipas Make.

Ao nível do ecossistema, o elemento mais relevante é um modelo que já está a ser explorado com empresas: estas financiam vagas para os exames de certificação dos diplomados, que ficam disponíveis quando o estudante conclui uma contribuição verificável após terminar o curso, em troca de acesso preferencial a esse talento. O plano será executado em três fases: primeiro, a infraestrutura básica; depois, um projeto-piloto centrado na área de desenvolvimento; e, posteriormente, a expansão para outras áreas, com um objetivo de retenção de 25% nesse piloto.

Extensão oficial do WordPress para Chrome (Chromium) e Safari

A extensão oficial do WordPress para browsers já está disponível para Chrome e browsers baseados em Chromium através da Chrome Web Store, e para Safari no macOS através da Mac App Store.

É um projeto open source que resolve um problema bem conhecido: a barra de administração do WordPress, sempre visível no topo do ecrã quando tens sessão iniciada, pode interferir com sites que utilizam cabeçalhos fixos ou efeitos de scroll, enquanto desativá-la no perfil também elimina os seus atalhos de acesso rápido. A extensão esconde essa barra, mas mantém os atalhos mais utilizados a apenas um clique de distância, no próprio ícone da extensão na barra do browser. Se precisares da barra completa, podes recuperá-la em apenas dois cliques.

O ícone da extensão indica, durante a navegação, se o site utiliza WordPress e se tens sessão iniciada, sem ser intrusivo. Num site que administres, permite ir diretamente para o painel ou para o editor da página, artigo, taxonomia ou template específico que estás a visualizar, incluindo templates de temas de blocos, que abrem diretamente no Editor do Site. A extensão guarda localmente a lista dos sites onde tens sessão iniciada, permitindo aceder-lhes mesmo quando estás a navegar num site completamente diferente.

WP Day for AI em Faro começa a vender bilhetes

A organização do WordPress Day for AI, agendado para 24 de Outubro, em Faro, lançou esta semana o primeiro lote de 50 bilhetes para vender. No total serão vendidos apenas 100, porque é a lotação real do espaço e é também a lotação que pretendida para este evento.

O bilhete custa 35 euros e dá:

  • acesso a todas as sessões do dia, nas duas tracks;
  • almoço desse dia, no próprio hotel;
  • café e bebidas nas duas pausas para café, uma de manhã e outra à tarde;
  • um dia inteiro de aprendizagem prática, com exemplos reais de quem já está a usar IA no trabalho e não apenas a falar sobre ela;
  • networking com a comunidade WordPress portuguesa;
  • e a oportunidade de ajudares a definir o futuro do WordPress.

E, para terminar, este podcast é distribuído sob uma licença Creative Commons como versão derivada do podcast em espanhol; podes encontrar todos os links para mais informações e o podcast noutros idiomas em WPpodcast .org.

Obrigado por ouvires e até ao próximo episódio.

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