Já conhecemos o roteiro para o WordPress 7.2, o que está planeado para esta versão e o que não deverá entrar.
Transcrição do programa
Olá, sou José Freitas e estás a ouvir o WPpodcast, com as notícias semanais da Comunidade WordPress.
Neste episódio, vais encontrar a informação de 14 a 20 de setembro de 2026.
O WordPress 7.2 está previsto para o início de dezembro de 2026, e a equipa já publicou o roteiro oficial para este ciclo. Como acontece com todos os roteiros, a própria equipa sublinha que tudo o que está listado se encontra em desenvolvimento ativo, mas nada garante que chegue exatamente assim à versão final. É um roteiro de intenções, não uma lista fechada de compromissos.
O ponto que mais chamou a atenção esta semana foi o próprio tema por omissão: chama-se Ipsum, e com ele o WordPress quebra uma tradição com mais de uma década de dar aos seus temas nomes baseados no ano da versão.
A partir de agora, cada tema por omissão terá o seu próprio nome e mudará quando o design o justificar, não por imposição do calendário.
A história por trás disto é interessante: a equipa tinha passado meses a trabalhar num tema muito mais ambicioso e expressivo, com o nome de código Mētis, pensado para mostrar tudo aquilo que o Gutenberg já consegue fazer. Depois de rever a direção com Matt, os critérios mudaram: o tema incluído no WordPress deve ser o ponto de partida mais simples possível, deixando os designs mais elaborados para existirem separadamente. Mētis continua vivo como projeto independente, mas não será incluído nesta versão.
Ipsum, nome inspirado no clássico texto de preenchimento “lorem ipsum”, que ocupa uma página até chegar o conteúdo real, é uma tela em branco pensada para blogues, com linhas tracejadas a simular traços de lápis do editor, algumas combinações tipográficas e variações de estilo que mudam a cor de toda a página, incluindo as imagens. Todas as combinações cumprem WCAG AA. Já está disponível para descarregar e testar no GitHub, com uma janela de feedback muito apertada antes do lançamento do 7.2.
Notes com modo de sugestão
O Notes, o sistema interno de comentários do editor, dá o seu salto mais ambicioso até agora: chega o modo de sugestões, no qual, em vez de apenas comentares um bloco, podes propor uma alteração real ao texto para outra pessoa aceitar ou rejeitar. É um passo enorme rumo a uma colaboração muito mais direta entre pessoas que editam o mesmo conteúdo. Também foram adicionadas reações com emoji nas próprias notas e um atalho dedicado na barra de ferramentas do bloco para adicionar uma nota sem interromper o fluxo de escrita.
Segurança reforçada
A secção de segurança traz três peças de peso. A mais chamativa, em termos conceptuais, é o chamado “modo sudo”: uma funcionalidade ainda numa fase muito inicial que propõe exigir uma nova autenticação pontual para ações administrativas especialmente sensíveis, mesmo com uma sessão ativa. Isto é comum em sistemas operativos, mas não no WordPress. Para já, apenas foi anunciada a intenção, ficando uma proposta detalhada ainda por publicar.
A segunda é a Secrets API, já abordada na sua proposta inicial: continua a avançar rumo ao 7.2, com suporte para WP-CLI desde o primeiro dia, enquanto a interface de administração fica adiada para uma versão posterior.
As função de IA
A terceira é um conjunto de melhorias e reforços nas Application Passwords, com melhor deteção de ambientes locais versus HTTPS, notificações por email quando é adicionada uma nova palavra-passe de aplicação e tratamento mais seguro do papel predefinido que lhes é atribuído. A par disto, continua o trabalho de reforço da HTML processing API, para que o WordPress analise markup de forma mais segura e fiável em todo o core.
A mensagem da equipa sobre IA é muito clara e, para sermos justos, funciona como um travão: o ciclo 7.1 deixou claro que as funcionalidades de IA precisam primeiro de demonstrar adoção real e valor prático antes de serem consideradas para o core. Por isso, todo o trabalho nesta área continua no plugin de IA, sem garantia de entrada no 7.2.
Entre o que está a ser preparado estão:
- mais WordPress Abilities, incluindo as primeiras capacidades de escrita e não apenas de leitura;
- uma atualização do adaptador MCP para a especificação mais recente, com planos para o publicar como plugin regular no diretório;
- ativação do MCP com configuração mínima diretamente a partir do próprio plugin de IA;
- experiências com WebMCP em fluxos de agentes dentro do navegador;
- um modelo de identidade e delegação para que os agentes tenham uma identidade auditável, com permissões geridas de forma independente das contas humanas;
- contexto do site e orientações editoriais reutilizáveis em diferentes funcionalidades de IA;
- suporte partilhado para embeddings em pesquisa semântica;
- e streaming de respostas de IA no cliente PHP.
Frentes de acessibilidade
O roteiro destaca quatro frentes concretas de acessibilidade com esforço elevado:
- fazer com que os avisos do painel de administração sejam anunciados corretamente a tecnologias de apoio e sejam mais fáceis de dispensar por teclado;
- introduzir testes automáticos com axe-core para prevenir regressões;
- permitir que a reorganização de metaboxes seja totalmente desativada, algo que há muito causa problemas de complexidade visual e alterações acidentais em dispositivos móveis;
- e remover o modo de acessibilidade dos widgets, para reduzir o número de modos de gestão distintos que precisam de manutenção.
Chega um novo bloco Description List, composto por três blocos estáticos que serializam para as tags HTML <dl>, <dt> e <dd>, seguindo o mesmo padrão de blocos principal e dependentes já usado em Tabs ou no bloco List. Destina-se a glossários, especificações técnicas e qualquer relação entre termo e definição.
O bloco Ícone completa a sua pesquisa por palavras-chave, pelo que procurar “hamburger” ou “navigation” passa também a mostrar o ícone de menu.
O bloco Table of Contents, que esteve durante muito tempo em estado experimental, passa para renderização dinâmica do lado do servidor para finalmente se tornar estável, com o editor e o frontend a partilharem uma única fonte de verdade para os títulos do conteúdo.
A Interactivity API ganha uma diretiva data-wp-html para renderizar markup a partir da store dentro de uma região interativa, além de uma forma mais clara para os blocos observarem navegação do lado do cliente. E a atualização para React 19 continua a avançar, embora seja pouco provável que chegue a tempo do 7.2.
Uma das alterações estruturais mais significativas do ciclo: o Site Editor extensível está a passar para uma nova base, construída sobre o pacote de routing wordpress/boot, já muito perto da paridade funcional com o editor atual. O que importa aqui não é apenas a reformulação técnica, mas o facto de, pela primeira vez, isto se abrir a terceiros: um endpoint de configuração de vistas do lado do servidor permitirá que autores de plugins registem os seus próprios ecrãs e definições dentro do próprio Site Editor, em vez de terem de construir a sua própria API de raiz sempre que precisam disso. Outros projetos em curso, como a edição de navegação, já estão a construir sobre esta base em vez de duplicarem trabalho.
DataViews e DataForms
O sistema DataViews e DataForms continua a refinar a sua extensibilidade, com configuração de vistas e formulários registada no servidor, e campos e ações também registáveis por aí. Como parte disto, o próprio inspetor de posts, imagem em destaque, excerto, estado, data, autor ou template, está a ser migrado para um DataForm, e já está a ser pedida ajuda para testar especificamente essa peça.
A omnibar, introduzida no 7.1, continua a evoluir, com dashicons a serem substituídos por ícones SVG, melhorias na paleta de comandos e revisão contínua de acessibilidade. Há também uma nova ronda de melhorias nas mensagens de erro: mais claras, mais fáceis de diagnosticar e com um botão para copiar, para serem mais fáceis de pesquisar ou partilhar, seguindo os princípios de design defensivo que Matt apresentou há algumas semanas. O widget “On this day” também regressa, depois de uma tentativa sem sucesso de o incluir no 7.1.
Os elementos de formulário, botões, campos de texto, menus pendentes e a label que faltava, poderão finalmente ser estilizados de forma consistente diretamente a partir dos Global Styles, sem tocar manualmente no theme.json.
O styling responsivo introduzido no 7.1 está a ser alargado a mais controlos, com uma API pública para que blocos de terceiros com controlos personalizados também possam tirar partido dela. Agora pode ser definido um estado “active” personalizado para blocos interativos, como o item de menu atual numa navegação, começando pelo bloco Navigation Link e pelo bloco Tabs. E, desta vez com peso renovado, volta o projeto de mostrar os estilos herdados dos Global Styles diretamente no inspetor do bloco, a funcionalidade que foi arquivada no 7.1 depois de várias tentativas de design falhadas. Agora existe ainda a questão adicional de saber se se deve indicar visualmente quando um valor global foi substituído localmente, e como oferecer uma forma clara de reverter essa alteração.
Refinar o processamento de media do lado do cliente
O processamento de media do lado do cliente, que se estreou no 7.1, está agora focado em amadurecer o sistema: reforçar o processo de upload, expandir os formatos suportados e fechar trabalho pendente de desempenho. O inserter de media está a ser redesenhado a pensar em bibliotecas multimédia muito grandes, com mais fontes para a galeria dinâmica e opções de ordenação para a galeria estática.
O modal de edição de media do 7.1 está focado em acompanhar a relação entre uma imagem original e os seus recortes, resolvendo um problema real: hoje, cada recorte cria um anexo independente sem ligação registada ao original, o que pode acabar por encher a biblioteca multimédia com duplicados soltos. No desempenho, o foco está em remover a concatenação de scripts e estilos em favor de preloading, e em imagens responsivas melhoradas, com o plugin Enhanced Responsive Images da equipa de Performance disponível para quem quiser ajudar a testar. E as revisões visuais, introduzidas no 7.0, continuam a ser refinadas para tornar mais suave a comparação e reposição de alterações.
Uma ausência deliberada e bem fundamentada: a edição colaborativa em tempo real não está no roteiro do 7.2, embora o trabalho continue em paralelo ao ciclo de lançamento. A equipa reconhece que ainda há decisões arquiteturais importantes por resolver e, em vez de a listar aqui para depois ter de a retirar, como aconteceu em ciclos anteriores, prefere deixá-la completamente de fora por agora.
Enquanto esperamos pela chegada do 7.2, o WordPress 7.1.1 já está disponível, sendo a primeira versão de manutenção do 7.1. Traz 17 correções no core, 19 correções no editor de blocos e onze correções de segurança, pelo que é uma atualização recomendada de imediato: o próprio anúncio sublinha isto, como é habitual em qualquer versão de segurança.
Entre os bugs corrigidos estão:
- um XSS armazenado em
wpautop()explorável por um visitante sem sessão iniciada através de um comentário pendente de aprovação; - um problema na HTML API que permitia escapar de um comentário HTML através de sequências abruptas de fecho;
- um XSS armazenado em temas com suporte para custom-header;
- URLs especialmente construídos que permitiam instalar e pré-visualizar automaticamente a partir de WordPress.org um tema inativo;
- e path traversal autenticado no controlador REST de templates, novamente reportado pela Anthropic.
Lista de correções
A lista continua com correções de peso:
- um administrador de site podia ativar na rede um plugin exclusivo de rede sem que estivesse instalado;
- o XML-RPC permitia publicar alterações do personalizador contornando a verificação de permissões para editar CSS;
- um Contributor podia sobrescrever arbitrariamente um post, também reportado pela Anthropic;
- uma verificação de permissões em falta expunha o título de um post privado principal através dos metadados de um anexo;
- o slug de um post em rascunho ou pendente podia ser divulgado a um Contributor sem autorização adequada;
- e um bug permitia que qualquer utilizador autenticado reatribuísse o comentário principal de outro comentário, incluindo notas. Como habitualmente, os patches estão a ser aplicados retroativamente a todos os ramos suportados, do 4.7 ao 7.0.
Gutenberg 24.0
O Gutenberg 24.0 já está disponível. A adição mais prática é que as revisões visuais incluem finalmente o título do post, que tinha ficado de fora até agora: ver alterações ao título lado a lado com alterações ao corpo do texto evita ter de adivinhar quando algo foi renomeado. A Gallery introduz uma variação de grelha totalmente personalizável que substitui o antigo layout flexível não editável, e tanto o número de colunas como o recorte das imagens podem ser configurados de forma diferente por dispositivo, permitindo, por exemplo, que uma galeria mostre quatro colunas no desktop e duas no tablet sem tocar numa linha de CSS.
O Site Title ganha uma opção “fit-text”, fazendo com que o texto escale para preencher a largura disponível em vez de se manter fixo num tamanho definido e depois quebrar linha ou ficar aquém do espaço. Outros destaques incluem:
- um redesenho de quase uma centena de ícones rumo a uma linguagem visual unificada baseada em traço,
- a possibilidade de aumentar ou reduzir a indentação de um item completo de lista, ou de vários selecionados ao mesmo tempo, com Tab,
- imagens de fundo que agora aceitam diretamente um URL sem terem de passar pela Biblioteca Multimédia,
- e espaços não separáveis que passam a ser visíveis durante a edição em vez de permanecerem invisíveis e alterarem silenciosamente a quebra de linha.
A edição colaborativa
A equipa de Core que trabalha na edição colaborativa em tempo real explicou porque é que a funcionalidade continua fora do roteiro. O desenho atual junta as alterações apenas no navegador, sem envolvimento do servidor até alguém guardar, e isso deixa três lacunas sérias:
- não sabe quem criou cada alteração dentro de uma sessão, o que poderia permitir que HTML não autorizado entrasse com as permissões de outra pessoa;
- não consegue participar quando uma atualização chega através da REST API ou do WP-CLI;
- e não consegue mediar quando duas pessoas ficam dessincronizadas, com risco real de perda de trabalho.
A solução proposta é tornar a colaboração “server-aware”: em vez de as pessoas trocarem alterações diretamente entre si, cada uma envia as suas para o WordPress, que verifica permissões, junta as alterações de todos e resolve conflitos, em vez de deixar tudo nas mãos do navegador. A contrapartida é maior carga no servidor, pelo que o desempenho terá de ser tratado com cuidado, sobretudo em alojamentos mais modestos.
Há três motores de sincronização em teste, disponíveis como plugin para quem quiser experimentá-los e dar feedback:
- um baseado na biblioteca Yjs,
- outro que usa three-way merge e sincroniza apenas ao guardar,
- e um terceiro que regista pequenas descrições de cada alteração em vez do conteúdo completo.
Curso “AI-Powered WordPress”
O curso “AI-Powered WordPress” já está disponível no Learn WordPress, desenhado para percorrer progressivamente tudo o que foi lançado com o plugin canónico de IA desde o 7.0. Está estruturado em quatro módulos: os três primeiros destinam-se a qualquer pessoa que gere ou publique num site WordPress, proprietários, autores, editores ou administradores, sem exigir programação, cobrindo desde a ligação do primeiro fornecedor de IA através do ecrã Connectors, até à utilização das ferramentas editoriais para redigir, resumir e classificar conteúdo, gerar automaticamente texto alternativo acessível, moderar comentários com análise de sentimento e toxicidade, e controlar o que a IA está a fazer no site através do registo de pedidos e das aprovações de conectores.
O quarto módulo dá um salto para o desenvolvimento, sem assumir experiência prévia em PHP, embora ajude já ter mexido em ficheiros de temas ou plugins: cobre a ligação de assistentes como Claude ou ChatGPT a um site através do adaptador MCP, o registo de uma WordPress Ability para que ferramentas de IA possam descobrir funções de um plugin personalizado, e a utilização do WordPress AI Client para lançar prompts a partir dos teus próprios plugins e temas. O curso completo tem uma duração estimada de nove horas, requer um site com WordPress 7.0 ou superior e acesso de administrador, e termina com uma secção sobre boas práticas responsáveis para publicar e construir com IA no WordPress.
bbPress
Curiosidade: o bbPress saltou diretamente para a versão 2.6.17, ignorando a 2.6.16, porque John James Jacoby encontrou um bug de SQL logo depois de marcar essa versão e optou por lançar a correção sem esperar. É mais uma atualização de segurança e manutenção. Reforça a visibilidade herdada em fóruns privados e ocultos, limites de fóruns de grupos BuddyPress, verificações de acesso de subscritores, edição de perfis, pedidos REST API e XML-RPC, resultados de pesquisa, redirecionamentos canónicos, tags de tópicos, movimentação de respostas, divisão de tópicos e escaping de output em geral.
A outra peça importante é uma revisão profunda das ferramentas de manutenção e reparação de contadores, para tópicos, respostas, fóruns, subfóruns, envolvimento, vozes e contribuições de utilizadores, que agora se comportam melhor durante moderação, movimentações, fusões, divisões, eliminação, restauro, reatribuição e pedidos concorrentes. Além disso, os temas de blocos passam a ter suporte de primeira classe, enquanto o bbPress continua a usar os seus próprios templates PHP.
Porto WordPress Meetup é esta semana
Embracing Curiosity in the Age of Machine Intelligence é o nome da apresentação do Porto WordPress Meetup desta semana.
Nesta apresentação, Emīl Blūm partilhará a forma como a curiosidade moldou o seu próprio percurso como designer e explicará como qualquer pessoa se pode aproveitar dela para crescer profissionalmente num contexto de crescentes mudanças profundas tecnológicas.
O evento é quinta-feira, às 19h00, na sede da Kaksi Media, no centro de Matosinhos.
A entrada é gratuita, mas os lugares são limitados e pede-se registo de presença na página do evento no Meetup .com.
WP Day for AI apresenta mais oradores
Samuel Silva, Gemny Ibarra e Lucas Catão de Moraes juntam-se ao WordPress Day for AI Faro 2026 para falar de três dimensões diferentes da Inteligência Artificial: o que podemos construir com ela, o que ela está a mudar na forma como pensamos e como a podemos usar sem comprometer a segurança.
Já falámos de velocidade, produtividade e do impacto da IA no trabalho de quem cria para a web. Agora damos mais um passo.
Porque a conversa sobre IA no WordPress não se resume a agentes, chatbots ou ferramentas que escrevem código por nós.
Também passa por perceber melhor aquilo que procuramos, saber quando estamos a deixar de pensar por nós próprios e garantir que a velocidade que ganhamos não cria novas vulnerabilidades.
É precisamente esse lado mais amplo da IA que estes três oradores vão trazer a Faro.
E, por fim, este podcast é distribuído sob uma licença Creative Commons como versão derivada do podcast em espanhol; podes encontrar todos os links para mais informação, bem como o podcast noutros idiomas, em WPpodcast .org.
Obrigado por ouvires, e até ao próximo episódio.




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