95. WordPress 7.0 perde a colaboração em tempo real

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Afinal, a colaboração em tempo real deverá ficar disponível no WordPress 7.1 e não na versão 7.0, devido a problemas de desempenho e às alterações necessárias para a sua nova implementação.

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Transcrição do programa

Olá, sou o José Freitas e estás a ouvir o WPpodcast, com as notícias semanais da Comunidade WordPress.

Neste episódio, encontras a informação de 4 a 10 de maio de 2026.

A grande notícia desta semana em torno do WordPress 7.0 é que a colaboração em tempo real não será incluída na versão final. Matt Mullenweg tomou a decisão de a remover, referindo alguns problemas, como a superfície de ataque, carga do servidor, eficiência de memória e erros recorrentes encontrados em testes. É uma decisão difícil, tendo em conta o trabalho já investido mas foi tomada com o objetivo de lançar uma versão estável. A funcionalidade será reavaliada durante o ciclo do WordPress 7.1 e, entretanto, continuará disponível através do plugin Gutenberg para quem quiser continuar a testá-la.

Também foram publicados os dados técnicos que sustentam essa decisão. Oito ambientes de alojamento diferentes, incluindo configurações com e sem cache persistente de objetos, participaram nos testes de desempenho.

A análise torna bastante claro que a estratégia vencedora é a utilização de uma tabela dedicada para armazenamento, combinada com cache de objetos para deteção da presença dos utilizadores: cerca de 52% mais rápida do que a implementação atual e a única abordagem que escala bem tanto com cache como sem cache. Esta informação irá orientar o trabalho na próxima iteração da funcionalidade.

Com tudo isto em curso, no dia 8 de maio foi publicado o WordPress 7.0 Release Candidate 3, que já incorpora a remoção da colaboração em tempo real e resolve mais de 143 problemas adicionais desde o RC2. A data da versão final mantém-se em 20 de maio. Se tens plugins ou temas, este é o momento para os testares com este RC3 e atualizares o campo “Tested up to” para 7.0.

Gutenberg 23.1 com muitas atualizações

O Gutenberg 23.1 chegou com uma boa quantidade de atualizações, embora muitas ainda sejam experimentais. A melhoria mais visível para o uso quotidiano está no carregamento de imagens: as miniaturas passam agora a ser geradas em paralelo, em vez de sequencialmente, o que é especialmente notório ao carregar imagens em lote através do bloco de galeria ou em ligações mais lentas.

Na área experimental, há novidades interessantes. A gestão de taxonomias personalizadas a partir da administração, sem escrever PHP, é uma das mais aguardadas. Com a experiência ativada, surge um ecrã de Taxonomias nas Definições, onde é possível criar, editar e eliminar taxonomias a partir da interface.

Há também um novo editor de multimédia com uma ferramenta livre de recorte de imagem para os blocos de imagem e logótipo do site. E a experiência para desativar o TinyMCE evoluiu: em vez de o remover totalmente, agora simplesmente oculta o bloco Clássico, mantendo as instâncias existentes a funcionar, o que é muito mais razoável.

Equipa do Plugin AI debate chaves de API

O plugin AI continua o seu ritmo de lançamentos quinzenal: a versão 0.9.0 acabou de ser lançada com redimensionamento de conteúdos, moderação de comentários e várias correções, com o objetivo de chegar à versão 1.0.0 em simultâneo com o WordPress 7.0. Em paralelo, o adaptador MCP, que permite a assistentes como o Claude ou o ChatGPT interagir com o WordPress, está a ultimar os últimos detalhes antes de ser publicado como plugin autónomo no repositório.

Um dos debates mais interessantes centra-se na segurança das chaves de API. A equipa está a avaliar um mecanismo de aprovação de conectores que permitiria aos administradores controlar que plugins podem aceder às ligações configuradas com fornecedores como OpenAI, Anthropic ou Google. Vários contribuidores alertam que resolver isto apenas a partir de um plugin pode dar uma falsa sensação de segurança, e que aquilo de que o WordPress realmente precisa no core é uma API de gestão de segredos. A ideia é que esta experiência sirva como primeiro passo e empurre essa conversa para o WordPress 7.1.

A equipa também começou a definir o que vem a seguir depois de concluir as fundações técnicas da IA no WordPress. As conversas apontam para educação, boas práticas, apoio a outras equipas de contribuidores com ferramentas de IA e posicionamento estratégico de longo prazo.

Guia para escrever testes end-to-end para WordPress com Playwright

O Developer Blog publicou um guia prático para começar a escrever testes end-to-end para WordPress com Playwright. O artigo parte da premissa de que os testes unitários cobrem uma camada, mas os testes E2E cobrem outra: simulam aquilo que um utilizador real faria no navegador, verificando como todo o sistema funciona, e não apenas componentes isolados. O Gutenberg utiliza-os desde o início e, há alguns anos, também fazem parte do WordPress Core.

A maior parte do artigo é orientada para programadores de plugins e temas, com exemplos concretos de um projeto de crítica de livros. Para quem nunca trabalhou com Playwright no contexto do WordPress, o guia é um bom ponto de entrada: a curva de aprendizagem é razoável, os exemplos são reais e o código completo está disponível num repositório público.

Acessibilidade atualiza requisitos

A equipa de Acessibilidade atualizou os requisitos para obter a etiqueta “accessibility-ready” nos temas do diretório oficial. Os critérios anteriores datavam de 2011 e 2012, antes das Web Content Accessibility Guidelines 2.1, 2.2, do HTML 5 ou de o ARIA ter suporte alargado, por isso a atualização era mais do que necessária. A alteração estrutural mais importante é que as “recomendações” foram eliminadas: tudo o que está na lista é agora um requisito, alguns pontos que antes eram opcionais passam a ser obrigatórios, e outros foram simplesmente removidos por serem boas práticas que não devem bloquear a aprovação.

Além disso, cada requisito segue agora um formato padrão com três secções:

  • o princípio básico,
  • instruções de teste passo a passo com critérios claros de aprovação ou reprovação,
  • e ligações para documentação relevante.

Para os autores de temas que já têm a etiqueta, o prazo para adaptação aos novos requisitos termina a 30 de junho de 2026. Depois dessa data, os temas que não cumprirem os novos critérios perderão a etiqueta.

Slack do WordPress chega às comunidade locais

O Slack do WordPress, o chat onde toda a comunidade comunica, está a dar um passo importante rumo à internacionalização: as comunidades locais de todo o mundo poderão integrar-se no mesmo espaço já utilizado pelas equipas de contribuidores do projeto, sem terem de escolher entre a sua comunidade local e a visibilidade global.

A iniciativa nasce de uma realidade que muitos já conheciam: muita colaboração acontecia em instâncias separadas do Slack, o que dificultava a descoberta mútua entre comunidades e a ligação às equipas Make WordPress. Além disso, muitos desses espaços locais funcionavam no plano gratuito do Slack, com histórico de mensagens limitado e menos ferramentas disponíveis.

O objetivo não é substituir o trabalho que as comunidades locais já estão a fazer, mas criar melhores pontes. Na prática, isto significa que comunidades de meetups, WordCamps regionais e eventos flagship como o WordCamp Europe, o WordCamp US e o WordCamp Asia terão espaço dedicado dentro do Slack global. Algumas destas mudanças já estão em curso: o WordCamp Asia e o WordCamp US já estão ativos no Make Slack, a comunidade japonesa está em transição, e o WordCamp Europe planeia juntar-se na edição de 2027.

WordCamp Portugal 2026 é no fim-de-semana, no Porto

Depois de meses de preparação, o WordCamp Portugal 2026 chega finalmente ao terreno. Vai decorrer na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto, no próximo fim de semana, 15 e 16 de maio. Começa na sexta-feira, dia 15, com o Dia da Comunidade. No sábado, 16, é o Dia de Conferências e termina com a tradicional ‘after-party’.

São esperados cerca de 250 participantes, sendo que por esta altura, é possível que já não haja bilhetes disponíveis.

No momento de gravação deste episódio havia já poucos ingressos disponíveis. Passa pela página de bilhetes e agarra o teu, se não tiveres e, claro, se ainda houver.

O programa do evento é de enorme qualidade, com um painel de oradores nacionais e internacionais de elevado nível.

Este é o primeiro evento da Comunidade Portuguesa de WordPress com a denominação de WordCamp Portugal. Até agora, os eventos tinham sido denominados WordCamp Porto ou WordCamp Lisboa, tendo em consideração a cidade em que decorriam.

Por fim, este podcast é distribuído sob uma licença Creative Commons como versão derivada do podcast em espanhol; podes encontrar todas as ligações para mais informação, bem como o podcast noutros idiomas, em WPpodcast .org.

Obrigado por ouvires, e até ao próximo episódio.

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